A Cidade dos Rios Invisíveis

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Oi amigas….

     O Coletivo Estopô Balaio apresenta A Cidade dos Rios Invisíveis, com direção de João Júnior, que foi contemplado pela última edição do Rumos Itaú Cultural (2015-2016). O espetáculo é inspirado no livro As cidades invisíveis, de Ítalo Calvino, e é o terceiro da Trilogia das Águas, desenvolvida junto aos moradores do Jardim Romano, zona leste paulistana, a partir das histórias de enchentes e alagamentos vividas por eles no local. As apresentações fazem parte do projeto Nos trilhos abertos de um leste migrante, ocorrem no trem da CPTM, saindo do Brás, e em uma itinerância pelas ruas do bairro até o córrego Três Pontes, um braço do rio Tietê.

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     Os ingressos são gratuitos. O ponto de encontro é o Espaço Cultural da Estação Braz e a viagem se inicia nesta mesma estação da CPTM, às 14h. A apresentação tem duração de 270 minutos e se finda sob o pôr-do-sol às margens do rio.

     A viagem de trem é um áudio tour. Munidos de fones de ouvidos e MP3, os espectadores são guiados pelas histórias dos bairros que passam pela Linha 12 – Safira da CPTM, convidando-os a imaginar universos possíveis, paisagens desconhecidas e uma vida urgente e pulsante. Depoimentos, músicas e poesias se misturam na experiência sonora e o trem, assim como a cidade, vira personagem do espetáculo.

     Chegando no bairro Jardim Romano, pessoas que nunca pisaram lá vivem a experiência daquelas ruas junto aos artistas. O público percorre a sede do Coletivo, casas dos moradores entrevistados, as ruas do bairro e desemboca no rio, matriz primeira do devaneio poético. O espetáculo é um exercício de alteridade diante do morador de um bairro periférico, mas também diante do outro que está em contato direto no ato de fruição.

     A relação desses moradores, a maioria descendente de migrantes nordestinos, com a cidade de São Paulo também é abordada apresentando um contraponto entre a “cidade-império” e as “cidades-invisíveis” dentro desta mesma capital. E o rio que passa pelo Jardim Romano e que transborda no período de chuvas, por sua vez, é o fio condutor da dramaturgia. Os atores do Coletivo Estopô Balaio, que em um campo relacional com outros moradores do bairro, com as casas, com os estabelecimentos comerciais, com as vielas, becos e ruas, atritam a realidade e a ficção.

     Todas as ruas do bairro que compõem o trajeto foram pintadas pelos artistas visuais e pelas crianças. Os MC’s tocam na sacada de vizinhos e na rua. As crianças entram na cena e convivem com os atores. A dança de rua no espaço público faz lembrar dos meninos que empinam pipas quando venta no local. Os demais habitantes do lugar, como em um ato de comunhão, saem de casa para compartilhar, olhar e torcer pela cena que se desenrola na fachada de suas moradias. São todos atores nesse processo de fabular a própria vida. Todos compactuam do ato teatral.

     Nos trilhos abertos de um leste migrante

     A nova temporada do espetáculo faz parte do projeto Nos trilhos abertos de um leste migrante, selecionado pelo programa de fomento à cultura e às artes brasileiras do instituto.  Nele, João Júnior expande a investigação sobre o movimento migratório de lugares que margeiam as linhas que partem do Brás e seguem até Guaianazes e Rio Grande da Serra – bairros da Zona Leste e as cidades fronteiriças que abrigam migrantes nordestinos e imigrantes de países como Bolívia e Haiti.

     As apresentações são a primeira ação do projeto. João Júnior explica que, em seguida, a ideia é construir uma dramaturgia a partir de lembranças de latino-americanos, residentes em São Paulo, por meio de cartas. Dentro da estação Brás, o Coletivo Estopô Balaio entrará em contato com eles, escutarão, escreverão as suas mensagens e as enviarão ao destinatário pedido. “A intenção é falarmos sobre esse processo de colonização a partir do olhar da cidade”, fala João Júnior. Os imigrantes serão os próprios narradores de suas memórias, que se confundem com suas vidas na metrópole brasileira.

     Com as cartas, o grupo unirá as histórias nelas contadas com fatores históricos, embasados no livro As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano. “É o presente refletindo o passado e projetando o futuro.” Tudo isso será transformado em mais um áudio tour, que também guiará os espectadores nas viagens de trem, como na peça, só que, desta vez, pelas linhas 10 e 11. “Muitos dos estrangeiros com quem tivemos contato são de bairros cortados por essas linhas, como Guaianazes e Itaquera.” A experiência é realizada na estação Brás justamente por receber grande fluxo de latino-americanos, que, inclusive, trabalham na limpeza do local.

     SERVIÇO:

     A Cidade dos Rios Invisíveis

     Com Coletivo Estopô Balaio

     Direção: João Júnior

     De 17 de setembro a 9 de outubro (sábados e domingos)

     Às 14h (chegar com 30 minutos de antecedência)

     Duração: 270 minutos

     Ponto de encontro: Espaço Cultural da Estação Braz

     Linha 12 – Safira da CPTM

     Classificação indicativa: 14 anos

     Entrada gratuita (Para reservar ingresso é necessário enviar e-mail com nome completo, telefone e data da apresentação que deseja ir para o e-mail reservas@coletivoestopobalaio.com.br. É possível reservar somente dois ingressos por pessoa).

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